Há café e tabaco
e chá de baunilha
e janelas abertas que não deixam ver
E há a cidade toda
emoldurada, que não cabe,
que sufoca
E o fechar da porta
a as sandálias que incomodam
os pés não descalços
sem nunca encontrar
uma palavra, um som, uma imagem,
uma alma,
qualquer coisa sem chaves que faça sentido
e a que se possa chamar
casa.
Há café e tabaco.
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Segunda-feira, Junho 29, 2009
Marinations
under a canvas awning, a few
metres above sea level, with backs
to the harbour the poets are reading —
their audience reclines on smooth fresh
mown lawn, swish as a cecil beaton
snap: lyric marinates the air; the p.a system
amplifies the verse right
to the water’s edge, where an evening
swimmer unaware of the source of
these bardic sounds, seeing is believing, may
mistake them for announcements
at a livestock sale or a stubborn
address from a captain whose ship
is going down
Joanne Burns
metres above sea level, with backs
to the harbour the poets are reading —
their audience reclines on smooth fresh
mown lawn, swish as a cecil beaton
snap: lyric marinates the air; the p.a system
amplifies the verse right
to the water’s edge, where an evening
swimmer unaware of the source of
these bardic sounds, seeing is believing, may
mistake them for announcements
at a livestock sale or a stubborn
address from a captain whose ship
is going down
Joanne Burns
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Porque hoje acordei com espírito Magritte...
... e como se sabe às vezes o meu sentido de humor é muito estranho.


Celui n'est pas négre ni blanche
Quarta-feira, Junho 24, 2009
«Às árvores, para dar flor há-de-lhes doer»
«De súbito, ficou imóvel de espanto. aquecida com o amor de dois mendigos, tinha o galho em que pendiam enforcados cheinho de flor. Dura e má como as pragas juntara no ramo que os cobria toda a flor que a terra assolada não pudera produzir. Era nada, quase nada, algumas flores miudinhas prestes a sumirem-se ao primeiro sopro - era dor estreme e sonho estreme. Nos seus braços haviam sido enforcados muitos desgraçados e as suas raízes mortas pelas lágrimas de aflição. Tolhida com os gritos, não bebia água nem sugava húmus. Vira passar homens, primaveras e reinados, sem se comover, mão arrepelada a amaldiçoar a terra e o castelo. Assistira a transformações de solo, a tempestades, a cataclismos e a guerras, sempre petrificada como a morte - e naquela noite, trespassada pelo amor dos dois mendigos, desentranhara-se em ternura, como se nela se concentrasse toda a paixão, a primavera e o noivado da terra - a árvore maldita que desde séculos servia de forca.»
Raul Brandão, A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore, página 116
Raul Brandão, A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore, página 116
Segunda-feira, Junho 15, 2009
«Guida tinha o gosto de se ouvir a sós. No banho ficava tempos e tempos a recitar palavras à toa e em todas descobria um significado especial, relacionado com coisas que só ela sabia. Um sentido oculto, como sucede com os surrealistas nas suas escrituras de ocasião.
(Não nos espantemos, de resto. Que isto se desse com Guida, não tinha nada de especial. Especial, porquê? O falar alto, só para si, é um excitante intelectual, um devaneio dos solitários, sonho ou vingança. Tece, diálogos ao espelho as burgesinhas das vilas, fala o cego para o surdo sobre o mundo que os rodeia. Canta o galo capado, poucos o entendem. E poetas há, por essas secretarias e repartições, que vagueiam alta noite nas ruas da Baixa a esmiuçarem conversas de sua imaginação.
É natural. Vivemos numa época em que cada qual fala para si mesmo na companhia de muitos outros.)»
José Cardoso Pires, O Anjo Ancorado, Leya, pág. 28
Domingo, Junho 07, 2009
Domingo, Maio 31, 2009
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